Páginas

27 julho, 2015

A incrível desunião do ser humano

Então você está na sexta série, numa escola nova e todos te olham desconfiados. Algumas pessoas chegam pra conversar, outras cuidam de canto e o resto ignora a existência. De repente você está no terceiro ano, percebe que aqueles que te cuidavam de canto ainda andam juntos, os que ignoravam se dividiram e foram pro bando dos que te cuidavam de canto e aqueles que tentaram falar com você falam mal pelas suas costas. Se você não agiu assim, foi um deles.

Admita, na escola sempre foi assim. Você faz parte de um grupo ou você não faz, e, caso você pense na hipótese de transitar entre um e outro tentando manter um bom convívio e estabelecer amizades, fique sabendo meu bem, você vai virar o falso. Aliás você é falso, porque na escola tem isso. Sempre temos que odiar alguém assim como temos que amar alguém, sempre temos que falar mal ou ouvirem falar mal. Se não falamos? Falam de nós. É assim ou você vai ficar fora de tudo observando. 

Se você é um observador provavelmente vai ter duas escolhas: ou invejar os que conseguem se enquadrar em algum grupo ou vai odiar a maioria deles (Porque disso afinal? Tão hipócritas!). Então você vai sair da escola com o intuito de conhecer gente que entenda a forma como você pensa, e sabe o que você encontra? O pessoal dos grupos que se formaram junto com você um pouco mais velhos e um pouco mais falsos. Se isso não acontece com você, é porque é um deles. 

E não adianta pensar que eu estou errada, que a vida é muito mais que isso e que temos infinitas possibilidades de conhecer pessoas novas que fazem coisas incríveis e são inteligentes e maduras o suficiente pra te compreender, mas quer saber? Não vai. 

A vida é uma repetição da escola. Na verdade, a escola é um resumo do que é a vida. E até te dá dicas subliminares que você nem sequer nota! Quer ver?

Em alguma série, em uma certa matéria, você aprendeu o conceito de conjunto. Em outra série e em outra matéria, você teve contato com espécies diferentes do mesmo animal. Mudando a série e a matéria você aprende que animais se juntam num só conjunto pra sobreviver à sua maneira. Depois você aprende que o ser humano fazia isso também. E então você percebe que nada mudou.

Escolha a alcateia que te aceitar pelas suas características e permaneça nela até a morte.

Quando você chegar na faculdade, a antipatia de algumas pessoas pode ser um balde de água fria no seu coração esperançoso e talvez você se sinta deslocado, mas logo percebe que só está no nível 2 da vida e que existe um chefão que você vai ter que derrotar. Quem é o chefão? Não sei, não cheguei nessa parte ainda. Mas eu sei que tem. 

Na faculdade você vai parecer ser só mais um porque muitos fingem simpatia. Por mais que você não finja, vai ter quem diga que finja. Com o tempo você se acostuma e percebe quem são os que sorriem apenas com os dentes e não com os olhos. Com o tempo vai começar a perceber os grupinhos e as panelinhas. Com o tempo você vai se olhar no espelho e perguntar se vai ficar antipático também. Com o tempo nem você vai ter certeza se está sorrindo de verdade.

Sabe aquela sensação que a gente tem de que, quando entrar pra faculdade, ninguém vai cuidar da sua vida como no colégio, ninguém vai se importar com quem namora, com quantos namora, como se veste e se tirou a nota mais alta ou não? Acho que agora faz mais sentido, né? Ninguém se importa. Tipo, sério. Ninguém se importa com absolutamente nada sobre você. Entenderam porque da sensação da faculdade ser "outro nível"? Porque realmente é.

E a vida é uma hipótese. As coisas nem sempre são como a gente imagina, às vezes temos atitudes precipitadas e o que eu digo não é um luxo de uma pessoa amargurada e esnobe ou uma teoria de que tudo sempre dá errado. Nem todo mundo é falso, nem todo mundo mente, nem todo mundo faz as coisas que eu disse acima. Nunca se deve generalizar, não se esqueça disso. Aqui eu só digo que sempre vão existir percalços, que sempre é bom estar um passo à frente com um pé atrás. 

E aliás, isso também não é pra assustar, é só uma dica. Não esperem grandes coisas, pessoas ou atitudes, a vida é só uma sala de aula.

E se a vida é uma sala de aula, eu quero ser a professora.

O que nos guia nesse assunto é o egoísmo. Porque ninguém ajuda, nem participa, nem questiona e nem tenta conversar? Porque sempre existem tantos ninhos iguais? Porque não ajudar a fortalecer o lugar onde todos vão ter que, ao menos, coexistir? Qual a solução pra isso?

Os mais otimistas diriam amor. Os sentimentais, porém realistas, diriam amor fraterno, de irmão.

Bom, eu sou um pouco pessimista. O amor nunca resolve 100% de um problema.

O que eu acho é que se as pessoas são egoístas o suficiente pra criarem suas próprias alcateias e se fecharem no mundo que vivem sem pensar no resto, é com esse mesmo egoísmo que nós temos que trabalhar pra se ajudar. Tudo bem se odiarem e preservarem o instinto animal de separar tudo em grupos, mas e se, de alguma forma, fazer todos esses grupos se unirem (mesmo que se odeiem) em prol de uma recompensa? Todos trabalhando numa engrenagem pra fazer o moinho girar e fazer ter energia para todas as casas.

É rude? Um pouco. Arrogante? Nossa, bastante. Mas pensem bem no que eu disse, uma pequena atitude pra que todos recebam a recompensa. Isso não é destruir qualquer tipo de ciclo social (vulgo panelinha) pra exigir e estabelecer uma união total. Não! Isso é impossível. O que eu (tramo? Suplico? Quero?) é que todos ajudem. Apenas ajudem. Que façam acontecer. Continuem sendo egoístas, mas conduzam isso pra algo que precisa ser explorado, conquistado e valorizado. Só pensem nisso uma vez ou outra. 

O ser humano é o brinquedo mais legal porque tem  psicológico e ego. Se trabalhar da forma certa e no tempo certo, é possível mover multidões.

E nós somos parte dessa multidão. E somos nós que precisamos fazer as coisas acontecerem.

Mas somos egoístas o suficiente pra ignorar o que temos. Nosso quarto, nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado, país, continente... Isso é pequeno pro nosso ego de aluno de escola que só precisa fazer parte de um grupinho? Porque? 

A vida é uma sala de aula e eu quero observar o andamento dos alunos. Quero saber quem é o excluído, quem é a popular, quem é quem e qual valor vai ter nessa história que a gente chama de vida, e que não passa de uma repetição de atitudes e pensamentos.

Tudo o que nós somos é o que nós aprendemos a ser. Nunca mude, mas também não permaneça o mesmo. Ao invés de jogar uma bolinha de papel na professora, ajude a turma a ficar quieta pra que a matéria seja dada de uma vez e as férias cheguem mais rápido.

Nós somos seres humanos, conscientes dos nossos atos e repletos de instintos animais vivos dentro de nós. Isso não é errado, só deve ser trabalhado.

Quanto espaço seu ego ocupa?


Nenhum comentário:

Postar um comentário