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27 julho, 2015

A incrível desunião do ser humano

Então você está na sexta série, numa escola nova e todos te olham desconfiados. Algumas pessoas chegam pra conversar, outras cuidam de canto e o resto ignora a existência. De repente você está no terceiro ano, percebe que aqueles que te cuidavam de canto ainda andam juntos, os que ignoravam se dividiram e foram pro bando dos que te cuidavam de canto e aqueles que tentaram falar com você falam mal pelas suas costas. Se você não agiu assim, foi um deles.

Admita, na escola sempre foi assim. Você faz parte de um grupo ou você não faz, e, caso você pense na hipótese de transitar entre um e outro tentando manter um bom convívio e estabelecer amizades, fique sabendo meu bem, você vai virar o falso. Aliás você é falso, porque na escola tem isso. Sempre temos que odiar alguém assim como temos que amar alguém, sempre temos que falar mal ou ouvirem falar mal. Se não falamos? Falam de nós. É assim ou você vai ficar fora de tudo observando. 

Se você é um observador provavelmente vai ter duas escolhas: ou invejar os que conseguem se enquadrar em algum grupo ou vai odiar a maioria deles (Porque disso afinal? Tão hipócritas!). Então você vai sair da escola com o intuito de conhecer gente que entenda a forma como você pensa, e sabe o que você encontra? O pessoal dos grupos que se formaram junto com você um pouco mais velhos e um pouco mais falsos. Se isso não acontece com você, é porque é um deles. 

E não adianta pensar que eu estou errada, que a vida é muito mais que isso e que temos infinitas possibilidades de conhecer pessoas novas que fazem coisas incríveis e são inteligentes e maduras o suficiente pra te compreender, mas quer saber? Não vai. 

A vida é uma repetição da escola. Na verdade, a escola é um resumo do que é a vida. E até te dá dicas subliminares que você nem sequer nota! Quer ver?

Em alguma série, em uma certa matéria, você aprendeu o conceito de conjunto. Em outra série e em outra matéria, você teve contato com espécies diferentes do mesmo animal. Mudando a série e a matéria você aprende que animais se juntam num só conjunto pra sobreviver à sua maneira. Depois você aprende que o ser humano fazia isso também. E então você percebe que nada mudou.

Escolha a alcateia que te aceitar pelas suas características e permaneça nela até a morte.

Quando você chegar na faculdade, a antipatia de algumas pessoas pode ser um balde de água fria no seu coração esperançoso e talvez você se sinta deslocado, mas logo percebe que só está no nível 2 da vida e que existe um chefão que você vai ter que derrotar. Quem é o chefão? Não sei, não cheguei nessa parte ainda. Mas eu sei que tem. 

Na faculdade você vai parecer ser só mais um porque muitos fingem simpatia. Por mais que você não finja, vai ter quem diga que finja. Com o tempo você se acostuma e percebe quem são os que sorriem apenas com os dentes e não com os olhos. Com o tempo vai começar a perceber os grupinhos e as panelinhas. Com o tempo você vai se olhar no espelho e perguntar se vai ficar antipático também. Com o tempo nem você vai ter certeza se está sorrindo de verdade.

Sabe aquela sensação que a gente tem de que, quando entrar pra faculdade, ninguém vai cuidar da sua vida como no colégio, ninguém vai se importar com quem namora, com quantos namora, como se veste e se tirou a nota mais alta ou não? Acho que agora faz mais sentido, né? Ninguém se importa. Tipo, sério. Ninguém se importa com absolutamente nada sobre você. Entenderam porque da sensação da faculdade ser "outro nível"? Porque realmente é.

E a vida é uma hipótese. As coisas nem sempre são como a gente imagina, às vezes temos atitudes precipitadas e o que eu digo não é um luxo de uma pessoa amargurada e esnobe ou uma teoria de que tudo sempre dá errado. Nem todo mundo é falso, nem todo mundo mente, nem todo mundo faz as coisas que eu disse acima. Nunca se deve generalizar, não se esqueça disso. Aqui eu só digo que sempre vão existir percalços, que sempre é bom estar um passo à frente com um pé atrás. 

E aliás, isso também não é pra assustar, é só uma dica. Não esperem grandes coisas, pessoas ou atitudes, a vida é só uma sala de aula.

E se a vida é uma sala de aula, eu quero ser a professora.

O que nos guia nesse assunto é o egoísmo. Porque ninguém ajuda, nem participa, nem questiona e nem tenta conversar? Porque sempre existem tantos ninhos iguais? Porque não ajudar a fortalecer o lugar onde todos vão ter que, ao menos, coexistir? Qual a solução pra isso?

Os mais otimistas diriam amor. Os sentimentais, porém realistas, diriam amor fraterno, de irmão.

Bom, eu sou um pouco pessimista. O amor nunca resolve 100% de um problema.

O que eu acho é que se as pessoas são egoístas o suficiente pra criarem suas próprias alcateias e se fecharem no mundo que vivem sem pensar no resto, é com esse mesmo egoísmo que nós temos que trabalhar pra se ajudar. Tudo bem se odiarem e preservarem o instinto animal de separar tudo em grupos, mas e se, de alguma forma, fazer todos esses grupos se unirem (mesmo que se odeiem) em prol de uma recompensa? Todos trabalhando numa engrenagem pra fazer o moinho girar e fazer ter energia para todas as casas.

É rude? Um pouco. Arrogante? Nossa, bastante. Mas pensem bem no que eu disse, uma pequena atitude pra que todos recebam a recompensa. Isso não é destruir qualquer tipo de ciclo social (vulgo panelinha) pra exigir e estabelecer uma união total. Não! Isso é impossível. O que eu (tramo? Suplico? Quero?) é que todos ajudem. Apenas ajudem. Que façam acontecer. Continuem sendo egoístas, mas conduzam isso pra algo que precisa ser explorado, conquistado e valorizado. Só pensem nisso uma vez ou outra. 

O ser humano é o brinquedo mais legal porque tem  psicológico e ego. Se trabalhar da forma certa e no tempo certo, é possível mover multidões.

E nós somos parte dessa multidão. E somos nós que precisamos fazer as coisas acontecerem.

Mas somos egoístas o suficiente pra ignorar o que temos. Nosso quarto, nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado, país, continente... Isso é pequeno pro nosso ego de aluno de escola que só precisa fazer parte de um grupinho? Porque? 

A vida é uma sala de aula e eu quero observar o andamento dos alunos. Quero saber quem é o excluído, quem é a popular, quem é quem e qual valor vai ter nessa história que a gente chama de vida, e que não passa de uma repetição de atitudes e pensamentos.

Tudo o que nós somos é o que nós aprendemos a ser. Nunca mude, mas também não permaneça o mesmo. Ao invés de jogar uma bolinha de papel na professora, ajude a turma a ficar quieta pra que a matéria seja dada de uma vez e as férias cheguem mais rápido.

Nós somos seres humanos, conscientes dos nossos atos e repletos de instintos animais vivos dentro de nós. Isso não é errado, só deve ser trabalhado.

Quanto espaço seu ego ocupa?


24 julho, 2015

Um Tweet, um fato, a mídia e um aprendizado.

Foto: Reprodução
Pelo título pode até parecer que vamos falar de um assunto leve, mas não. Hoje é sobre algo que já não deveria existir mais. Hoje o assunto é de se pensar, de ver o mundo que nos cerca e que tipo de informação nós absorvemos. Hoje vamos falar sobre a mídia e o racismo.
Nos últimos dias, duas divas do pop americano trocaram tweets que alguns interpretaram de uma forma e outros de outra, o que é completamente normal já que cada um de nós entende os fatos de um jeito diferente. 
Nicki Minaj, rapper americana, usou a sua conta no Twitter para criticar a indústria da música, falando sobre como infelizmente ainda existe racismo na nossa sociedade e como isso é visto como algo normal. O comentário seria sobre o fato de "Anaconda", hit da cantora, não ter sido tratado da mesma forma como muitas outras músicas de cantoras brancas que falam e mostram sobre as mesmas coisas são tratadas. Críticas muito prudentes sobre ter sido indicada em poucas categorias no VMA deste ano fazendo basicamente a mesma coisa que Miley Cyrus fez no clipe de Wrecking Ball - e que recebeu muitas indicações e prêmios.
Nicki deu um show e não é preciso muita explicação sobre isso. Segue os tweets dela:

"Se eu fosse um ‘tipo’ diferente de artista Anaconda teria sido indicado a melhor coreografia e vídeo do ano"
"Quando ‘outras’ garotas lançam vídeos que quebram recordes e impactam a cultura elas ganham essa indicação"

"Se seu vídeo celebra mulheres com corpos magros, você é indicada a vídeo do ano"
Até aí tudo certo. Ela foi incrível com os pontos que levantou, pontos esses que são importantes e pouco discutidos abertamente, a representatividade do negro na música e a desvalorização disso. Porém aconteceu o inesperado: Taylor Swift, autora de Shake it Off, vestiu a carapuça das indiretas e respondeu Nicki: 

"Nicki, eu não fiz nada além de te amar e te apoiar. Não é do seu feitio colocar mulheres umas contra as outras. Talvez um dos homens tenha pego o seu lugar"
Talvez como crítica, talvez apenas achando que o mundo gira ao redor de seu lindo umbiguinho, Swift falou o desnecessário que rendeu a divisão de águas no mundo pop e uma boa fofoca pra nossa tão gloriosa mídia sobre o que a rapper recém tinha criticado. A desculpa de Taylor? Algum dos outros indicados (Ed Sheeran, Kendrick Lamar ou Bruno Mars) tenham ficado com a indicação no lugar de Minaj.
O fato de Taylor ter se metido no que não era chamada e ter apresentado tal atitude pode nos ensinar algumas coisas, sendo uma, e a mais importante, de que é justamente isso que acontece ao nosso redor e não percebemos. O negro é desvalorizado em muitas situações, o preconceito por cor é tratado como tabu e vitimismo, mas é tão vivo quanto nós nessa sociedade. É algo que pessoas brancas precisam aprender, é necessário que essas pessoas que não sofrem preconceito por questões raciais entendam o quanto é importante a valorização e empoderamento de negros. Negros e negras não se encaixam no padrão imposto pela mídia. Negros e negras não tem a mesma facilidade que brancos.
Outro ponto que é bom destacar nesse tweet é a tão polêmica sororidade. Mas o que é sororidade? A sororidade é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo, como diria nosso amigo Wikipédia. Eu, particularmente, acho  a sororidade uma das coisas mais importantes do feminismo, que as mulheres parem e percebam que esse ódio que nos incentivam a ter entre nós mesmas não nos ajuda em nada. O que há de errado com a sororidade aqui? É justo o que eu disse antes. É questão de empoderamento. Temos que ser mais unidas SIM, mas mulheres brancas tem que saber dar espaço pra mulheres negras. Taylor em três frases nos deu um ótimo exemplo do que é o feminismo branco, do que é negar toda uma história e tratar apenas como uma casual injustiça contra ela. E apenas ela.
Mas o que a mídia caracterizou como "briga" (o que eu vejo apenas como uma conversa, um debate, ou, no máximo, um desentendimento entre duas pessoas) não terminou por aí. Minaj e Swift trocaram mais alguns tweets que, depois, repercutiriam muito mais do que realmente foram nos sites de fofoca. 

"Que? Você não deve estar lendo meus tweets, não falei nada sobre você. Eu te amo tanto quanto você me ama. Mas você deveria falar sobre isso, @taylorswift13".

"Se eu ganhar, suba no palco comigo!! Você está convidada a qualquer palco que eu esteja".

Depois do tweet que pode soar como arrependimento ou como sarcasmo, Nicki deu alguns retweets em fãs que a seguem e estavam falando sobre o assunto, tais como:

"Taylor, pare de usar ‘apoie todas as mulheres’ como uma desculpa para não ser crítica à mídia racista que beneficia e vangloria você"
"Não é uma questão de diminuir os outros artistas, é só que Nicki está sendo esnobada por fazer exatamente a mesma coisa que os fazem ganhar prêmios"

Muitos dos seguidores de Nicki Minaj elogiaram a sua posição, dizendo entre tantas coisas o como ela era forte e corajosa. E logo veio outro tweet e mais um tiro no cara da nossa mídia opressora:

“Eu não sou sempre confiante. Só cansada. Mulheres negras influenciam tanto a cultura pop mas raramente são premiadas por isso”

E ela não parou por aí! Na mesma hora em que a "confusão" acontecia e muitos sites já publicavam notícias sobre a Terceira Guerra Mundial do pop, ela deu mais RT's e mais críticas.

Acima: "Nada do que eu disse tinha a ver com Taylor. Então, o que é 'jabs'? Mídia branca e suas táticas. Tão triste. Isso é o que eles querem."
Abaixo: "Ryan postou uma manchete de Taylor dizendo que ela me ama e me apoia. Mas não eu dizendo o mesmo que ela. Ri Muito. Sua manchete diz que eu fiz um 'jab'?"


Mas não parou por aí! Taylor Swift tem uma rixa com a cantora Katy Perry, onde as duas vivem jogando indiretas uma pra outra. Basicamente essa rixa aconteceu porque Perry teria "roubado" dançarinos da tour de Swift ano retrasado. Taylor fez uma música denominada "Bad Blood" (que fala sobre o fim de uma amizade) e no clipe da música a autora se junta com outras amigas para derrotar a inimiga. Sabendo disso, ganhamos mais uma personagem nessa história que contribuiu com a indireta:
"Achando isso irônico de exibir o argumento de colocar uma mulher contra a outra enquanto que uma capitaliza imensuravelmente no derrubar de uma mulher ..."


Nicki respondeu mais este tweet desnecessário e intrometido com um emoji, fica a dúvida se concordando com Perry ou ironizando a situação.
Mais tarde, Taylor, via Twitter, pediu desculpas que foram aceitas pela pacienciosa Nicki Minaj.

"Eu pensei que estivesse sendo insultada. Eu entendi errado, e então respondi errado. Desculpa, Nicki."



Acima: "Isso significa tanto, Taylor. Obrigada."
Abaixo: "Eu sempre a amei. Todo mundo comete erros. Ela ganhou muito mais meu respeito. Vamos seguir em frente"



Hoje pela manhã, Nicki Minaj compareceu ao programa americano "Good Morning America" onde falou sobre o que aconteceu. "Primeiro de tudo, eu falei com Taylor Swift ontem pelo telefone. Ela foi muito fofa. Ela pediu desculpas. Ela disse 'Olha eu não tinha entendido o grande motivo do que você estava dizendo mas agora eu entendi'. Então está tudo bem entre a gente. Foi muito grande da parte dela vir e falar aquilo. Então, sim, nos falamos muito tempo. Nós estávamos nos divertindo pelo telefone. Acabou, pessoal." Perguntada pela apresentadora se haveria a possibilidade de uma colaboração com a loira, Minaj não titubeou! “Com certeza podemos trabalhar juntas, sabe por que? Porque é preciso ser uma grande pessoa para fazer o que a Taylor fez. Todo mundo fala às vezes sem pensar, eu mesma já fiz isso. Às vezes, fazemos as coisas e não pensamos na hora, não investigamos. Apenas falamos. Foi muito grande da parte dela falar abertamente“.





Ainda durante a entrevista, Nicki explicou mais um pouco sobre o porquê de ter reclamado da falta de indicações ao clipe de “Anaconda”. “Esse vídeo teve um enorme impacto cultural e, além disso, nós quebramos o recorde Vevo. Acho que se fosse de uma das garotas do pop, teria conseguido muitas nomeações.” A rapper também comentou sua crítica de que apenas clipes com garotas magras recebem várias indicações. “Não podemos ter apenas um tipo de corpo glorificado pela mídia porque isso só faz as meninas ainda mais inseguras do que já somos.”




Sendo este o fim da guerra, vamos discutir algumas coisas desta segunda parte da "briga" e ver o que aprendemos hoje. 






> Sororidade. 


Como eu já havia comentado, sororidade é uma coisa polêmica. Quando Katy Perry insinua que Taylor está sendo hipócrita, ela está olhando com os mesmos óculos o conceito de sororidade que Swift usou como argumento e que o Wikipédia nos definiu. E está certíssima! Porém são coisas que nos fazem refletir sobre a índole das pessoas. A sororidade é importante, mas não significa que todos nós devemos nos amar infinitamente, mas que devemos nos respeitar, sem julgamentos. É válido pensar que as pessoas podem ser boas ou más, nem sempre vamos gostar tanto de todas as pessoas que conhecemos. 




Eu não vejo sororidade como muitas mulheres se amando e sendo melhores amigas, mas sim como todas se respeitando independente da sua diferença. É um laço mais forte, algo que incentiva que pare já com esse ódio e brigas entre mulheres como vemos em muitas ocasiões como esta. Mesmo assim, Taylor não deixou de agir de forma hipócrita.






> Problematizar é importante. 


Eu vi essa dita "briga" como muitas das conversas que eu mesma já tive onde fui problematizada, onde me disseram que eu estava pensando da forma errada. Swift pensou da forma errada o que Nicki problematizou com muita razão. Sendo assim, talvez (e eu espero que tenha acontecido de verdade) Taylor tenha pensado melhor na situação e visto que realmente pela cor de pele ela tem facilidades e regalias. Problematizar é deixar que as pessoas mostrem os erros que você está cometendo e, assim, admitir e aprender com eles, começar a repensar o que acontece na sua volta e mudar algumas atitudes.






> Representatividade. Já bati nessa tecla, mas vamos pensar novamente. Como são os protagonistas da maioria dos filmes e novelas? Eminem e Iggy Azalea fazem o mesmo que muitos negros fizeram por anos, mas porque eles receberam tantos holofotes logo no início da carreira? Representatividade é importante por isso. Todos nós temos que aprender a respeitar , valorizar e dar importância pra uma minoria.





Conversei com algumas negras sobre o assunto, uma delas foi Laryssa Salenave (19), estudante de jornalismo. Quando perguntei sobre o espaço da negra hoje em dia ela disse "Os negros ainda não conquistaram seu espaço hoje em dia. Ainda existe preconceito. Ainda tem muito pra se conquistar. O preconceito ainda é muito grande, principalmente se tu é negra e mulher. Ainda existe uma diferença na hora de procurar emprego, na faculdade. Teoricamente, no que a sociedade apresenta, ainda falta muito par ser conquistado. Muitas vezes os direitos da gente não são valorizados, eu acho que muito do que a gente conquistou hoje em dia não é respeitado". "A história que nos cerca é racista", complementa. 




Marcella Gonçalves (19), que cursa Engenharia de Alimentos na UFRGS, quando questionei sobre a valorização do negro ela disse "É uma pergunta difícil de responder, porquê infelizmente o único ou o maior motivo seja o preconceito mesmo. O fato das pessoas acharem que um negro é inferior ou não vai conseguir fazer o mesmo trabalho com competência que uma pessoa da cor branca. Acho que é necessário igualdade, mesmo que isso seja sonhar demais, na hora de dar espaço pra um negro na mídia. Pelo simples fato de que ele é competente e apenas isso.". 


Quando falamos sobre o que aconteceu entre Nicki e Taylor, Marcella diz "Concordo plenamente com a Nicki. Existe aquela história de que a mídia segue padrões, e a Nicki foge de todos eles (graças a Deus e fico felicíssima com isso). Então é muito mais fácil pra mídia indicar alguém que esteja nos padrões, e quando digo padrões, quero dizer em pessoas brancas e magras. E acho que muitas outras artistas negras deveriam se impor igual a Nicki Minaj fez e buscar o seu lugar na mídia (ou em qualquer lugar) e não admitir que esse padrão, que na maioria das vezes exclui negros para agradar o público, continue. Achei muito válido o pedido de desculpas da Taylor pelo simples fato de que ela não havia entendido o que a Nicki queria dizer e o que ela queria criticar. Mas não sei se ela concorda com o que a Nicki disse, por que, querendo ou não, a Taylor segue os padrões da mídia e talvez, infelizmente, ela não saiba o que é ser excluída da mídia por causa da cor ou pelo físico. Ainda bem que elas conversaram e espero que a Nicki tenha mostrado as ideias dela pra Taylor que estão completamente certas."






> A mídia transforma os fatos da forma que lhe cabe.


É só abrir os olhos e ver de fora o que aconteceu: a mídia transformou algo importantíssimo em apenas uma briga de divas pop. O que realmente deveria ter sido notado, a crítica ao racismo no mundo da música, foi deixado de lado pra ver ferver a discussão entre os fãs de ambas as cantoras. Tudo por dinheiro, por visualização, por ibope. As revistas, os sites e os jornais se beneficiam disso de muitas formas, mas o que deveria ter sido colocado em pauta é como o mundo é realmente, o que está por trás de uma resposta desnecessária. A mídia só tratou como notícia relevante depois que uma mulher branca se envolveu e agiu na defensiva. As manchetes gritavam o nome de Taylor Swift como vítima e ainda incentivaram o esteriótipo de "negra barraqueira" apenas porque Nicki Minaj respondeu de forma coerente. Não foi bem assim e não é apenas isso. Existe sempre uma questão maior.





"Taylor Swift chama Nicki Minaj após seu discurso retórico no Twitter sobre MTV Video Music Awards e a nomeação  de 'Anaconda'"




Vale lembrar que este é apenas o meu texto, é apenas a minha opinião sobre uma confusão que foi criada. Vale lembrar também que isso é apenas uma tentativa de explicar como as coisas realmente funcionaram e o que a mídia pintou. Vale lembrar que Nicki Minaj tem todo o direito do mundo de dizer o que disse. 


Vale lembrar que ainda existe racismo e que estamos aqui lutando contra. 


17 julho, 2015

Eu sei que você já viu isso em algum lugar

Sabe quando alguma coisa nos traz aquela sensação de Déjà vu e você pensa "onde foi que eu vi isso?". Muitas vezes isso acontece em filmes, e é o que vamos desvendar hoje: algumas referências escondidas no mundo do audiovisual, muitas vezes da mesma empresa, outras com inspirações em outros filmes e que atuam no meio cênico com citações, atores, diretores, lugares, objetos, cenários e entre outras coisas que fazem de um filme mais que apenas um filme.

  • A caminhonete da Pizza Planet - A Superinteressante fez uma lista completa sobre todos os Easter Eggs (como são conhecidas essas referências) que a Pixar apresenta. Aqui veremos apenas alguns. Um deles é o veículo, original de Toy Story (1995), que aparece em alguns dos filmes da Pixar. 

Caminhonete da Pizza Planet - Foto: Reprodução

Vida de Inseto (1998) - Foto: Reprodução
Toy Story 2 (1999) - Foto: Reprodução

Monstros S/A (2001) - Foto: Reprodução
Procurando o Nemo (2003) - Foto: Reprodução
Carros (2006) - Foto: Reprodução
Ratatouille (2007) - Foto: Reprodução
Wall-E (2008) - Foto: Reprodução

Up Altas Aventuras (2009) - Foto: Reprodução

Toy Story 3 (2010) - Foto: Reprodução


Carros 2 (2011) - Foto: Reprodução
Valente (2012) - Foto: Reprodução
  • Os Simpsons - Na animação, as referências vem de filmes muito famosos e que entraram pra história. São exemplos:


Marry Poppins




O iluminado



O Exterminador do Futuro 2



Indiana Jones


  • Os Intocáveis - Brian de Palma, diretor de "Os Intocáveis" (1987), faz inúmeras referências. Neste filme, ele relembra cenas de "Meu Ódio Será sua Herança" (1969) de Sam Peckinpah, e de "O Encouraçado Potemkin" (1925) de Sergei Eisentein.

"Meu Ódio Será sua Herança" (E) e "Os Intocáveis" (D)

"O Encouraçado Potemkin" (E) e "Os Intocáveis" (D)

  • Gangues de Nova York - O cineasta Martin Scorcese homenageou no filme "Gangues de Nova York" (2002) uma cena do filme "2001 – Uma Odisséia no Espaço". O machado do filme de Martin, ao ser jogado para o alto, é acompanhado pelo mesmo travelling vertical visto no filme de 1968.

Cena de "2001 – Uma Odisséia no Espaço" (E) e "Gangues de Nova York" (D)

  • Os Bons Companheiros - Também dirigido por Martin Scorcese e lançado em 1990, a cena em que Joe Pesci atira em direção ao espectador é idêntica a vista no filme "The Great Train Robbery" (1903), que é considerado o primeiro faroeste filmado.
"The Great Train Robbery" (E) e "Os Bons Companheiros" (D)
  • Star Wars - Pois é, nem um dos mais clássicos filmes escapou de ter uma referência. Muitas das cenas do filme de 1977 foram inspiradas em cenas de faroeste, de guerra, de Kurosawa e Kubrick e até mesmo de Flash Gordon.
Cenas de filmes de Kurosawa e Kubrick (E) e "Star Wars" (D)

Cenas de guerra (E) e "Star Wars" (D)

Cenas dos créditos de Flash Gordon (E) e "Star Wars" (D)

  • Frankestein de Mary Shelley - Filme lançado em 1994, onde Keneth Branagh filma o beijo de Victor Frakenstein e sua noiva morta-viva fazendo referência a "Um Corpo que Cai" que curiosamente também traz um homem tentando, de certa forma, “ressuscitar” a mulher amada.
"Um Corpo que Cai" (1958)

"Frankestein de Mary Shelley" (1994)

  • Quentin Tarantino - Este tópico é diferente, não vai falar de apenas um filme e sua referência, mas de um diretor que inclui em quase - senão todos - seus filmes uma relação com outro. Em "Kill Bill", a primeira cena a seguir é inspirada em "Gone in 60 Seconds" (1974), e a segunda em "Era uma vez no Oeste" (1968).
"Gone in 60 Seconds" (E) e "Kill Bill" (D)


"Era uma vez no Oeste" acima e "Kill Bill" abaixo.
  • O Aprendiz de Feiticeiro - Lançado em 2010 e produzido por Jerry Bruckheimer, o filme faz ligação com um musical da própria empresa (Disney). No filme Fantasia, o tão conhecido personagem Mickey Mouse é um aprendiz de feiticeiro que rouba o livro de seu mestre causando, assim, uma certa confusão. Já no filme que tem a presença ilustre de Nicholas Cage, o aprendiz reproduz a cena da confusão, fazendo uma homenagem ao musical de 1940. 
Trecho do musical Fantasia (1940).

Trailer* do filme "O Aprendiz de Feiticeiro" de 2010.

*Notem no minuto 1:44 do trailer de "O Aprendiz de Feiticeiro", a cena semelhante ao do trecho do filme "Fantasia".

E sobre os filmes aqui citados? Já tinham reparado isso? Prestem mais atenção quando forem assistir algo a partir de agora, percebam a história por traz de uma cena aparentemente inofensiva e comum. Acho que a parte mais interessante de um filme não é apenas o conteúdo ou a mensagem transmitida, mas as pequenas coisas, os pequenos detalhes criados pelos diretores e produtores que fazem de uma grande obra também uma homenagem a outros grandes nomes da indústria cinematográfica. 




15 julho, 2015

Suffragette e o início de um movimento

Nesta quarta-feira (15) saiu o primeiro trailer do filme "Suffragette" que contará com a participação das inigualáveis Carey Mulligan, Helena Bonham Carter e Meryl Streep. Dirigido por Sarah Gavron, o filme contará sobre o Movimento Sufragista na Inglaterra. Assista o trailer legendado abaixo:



O movimento pelo sufrágio feminino (que dava as mulheres o direito ao voto) aconteceu no final do século XIX e início do XX principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra. É interessante pensar que esse foi o primeiro movimento feminista da era pós Revolução Industrial, este filme não irá representar apenas uma parte da história, não contará apenas como foi, mas também trará à tona a importância, hoje desvalorizada, do voto. 
Foram lutas, mortes, brigas e incansáveis punições pelo simples fato de conquistar o direito ao voto, o simples fato de querer igualdade. Esse filme contará como foi a primeira conquista entre tantas que ainda lutamos pra ter. 
"Suffragette" era um apelido ofensivo dado as mulheres sufragistas, ou seja, as ativistas do movimento. Estas primeiras feministas tinham encontrado nos ideais democráticos de inspiração iluminista (igualdade e liberdade) um lugar perfeito para desprenderem a voz da garganta e começarem a revindicar seus direitos. Inicialmente pacífico, o Movimento Sufragista questionava o fato de que, naquela época, as mulheres podiam exercer funções diretivas em uma escola e no campo de educação geral, mas eram vistas com desconfiança como possíveis eleitoras. A resposta pra isso? Mulheres não seriam capazes de entender o funcionamento da política parlamentar da época. Mesmo assim, as leis eram aplicadas a elas mesmo sem terem absolutamente nenhuma participação em sua elaboração.
Então foi aí que as coisas perderam sentido, e aí que as Suffragettes entraram em ação.

Primeiro Pôster do filme "Suffragettes".

No Brasil, a conquista do voto foi um pouco diferente. No Consultor Jurídico do jornal O Estado de São Paulo, existe uma informação de que logo após a proclamação da República, o governo provisório convocou eleições para uma Assembléia Constituinte. Na ocasião, uma mulher conseguiu o alistamento eleitoral invocando a legislação imperial, a Lei Saraiva, promulgada em 1881, que determinava direito de voto a qualquer cidadão que tivesse uma renda mínima de 2 mil réis. Mas a primeira eleitora do país foi a potiguar Celina Guimarães Viana, que invocou o artigo 17 da lei eleitoral do Rio Grande do Norte de 1926: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”.
De qualquer forma, este será um filme feito não só a título de conhecimento, mas também pode ser tido como uma reflexão: qual valor damos ao voto hoje?
O filme estréia nos Estados Unidos em outubro, mas ainda não foram lançadas datas aqui no Brasil.