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03 junho, 2015

Sexismo, lugar de mulher e mercado de trabalho. À quantas anda?


Foto: Juliana Coin
Quando pensamos numa questão histórica e cultural, percebemos que mulheres sempre foram designadas e ensinadas a cuidar da casa, dos filhos e do marido. Porém movimentos feministas que surgiram em meados do século XVIII, com a revolução industrial e toda uma  transformação, tecnológica, econômica e política, fez surgir a necessidade da participação de mulheres nas fábricas para garantir a  sobrevivencia da família. Neste movimento, que hoje em dia vem ganhando cada vez mais força, reivindicava por direitos iguais aos do sexo oposto. 
Então chegamos ao século XXI. Mulheres já tem mais espaço na sociedade porém ainda não recebemos o mesmo tratamento e nem todos os direitos perante o mercado. Constantemente assediadas, subjugadas, oprimidas e estereotipadas, entre tantas coisas, existem ainda situações que podem gerar constrangimento. Em algumas entrevistas de emprego, mulheres são questionadas sobre maternidade, se já tem filhos ou se querem ter. A questão é intensa e muito debatida, qual a relação entre ser mãe e não ser uma boa profissional?
Fora estas questões, ainda temos outro fato a considerar: o sexismo. Somos acostumados a pensar que existem certos tipos de trabalhos para homens e certos tipos de trabalhos para mulheres, o que é errado.
Mesmo que ainda tenhamos antigos problemas, são novos os tempos. Hoje, cada vez mais, mulheres entram nesse mundo sexista e quebram tabus, como é o caso da Rosana Coin (foto abaixo), pintora e “faz tudo” que já trabalhou como camareira, governanta, recepcionista, auditora e enfermeira, e agora encontrou o que realmente gosta de fazer. Conversei com ela sobre sua ligação com o trabalho, e ela, despojada e sincera, falou abertamente seus pontos de vista sobre direitos e o trabalho em si, porque quis trabalhar com manutenções gerais e como foram os outros empregos.
Como muitos ainda vêem a situação com maus olhos, a questionei sobre as críticas que recebe, e abertamente expôs “Assim, num dos meus primeiros trabalhos, um cara disse ‘Nossa mas uma mulher?’ e uma semana depois tudo que ele via ele pedia pra uma mulher consertar. Mas era uma pessoa bem mente aberta, não falou como crítica, ele falou como algo inusitado.”
Foto: Juliana Coin

Perguntei se recebia críticas negativas e até maldosas nos antigos empregos e a resposta foi rápida “Sim. Quando eu trabalhava como governanta eu era chefe da manutenção e quando eu falava alguma coisa da manutenção, que precisava de conserto e que eu tinha razão, o funcionário  simplesmente não fazia por que ele era o homem, ele que sabia.”.
Mas ela diz que neste trabalho não sofre os mesmos assédios que sofria nas outras profissões, “Quando eu trabalhava na enfermagem ou no hotel, achavam que quem trabalhava lá eram prostitutas. Eu constantemente incentivava as mulheres, as camareiras a não aceitarem esse tipo de assédio. (...) Quando outras pessoas, ás vezes de outros países, iam pro hotel, viam as camareiras como prostitutas, como inferiores. Elas se sentiam humilhadas muitas vezes.”.
Como sua profissão atual desconstrói uma “verdade absoluta” imposta, ela acha que é necessário essa conquista pelo espaço, que isso não seja apenas uma lei que dê a entender ser uma obrigação contratar pessoas de tal cor, raça ou gênero, diz que deve ser algo natural. Quando questionada sobre os estereótipos e o sexismo presente na industria em geral, Rosana comenta “Olha, eu fiz cursos ‘pra mulherzinha’ , fiz curso administração, fiz enfermagem, fiz vários cursos, trabalhei em hotel, com serviços ditos pra mulher, mas o que sempre me atraiu sempre foi montar quebra cabeças, desafios… E o fato de dizer que “tu não pode, tu é mulher”. Isso me atraiu mais ainda. E mais, nesse trabalho tu divide muito o que tu sabe, tu aprende muito, tu não tem amarra, não tem nada te segurando, e isso não tem preço.”
A presença de todos os tipos de pessoas com cada particularidade própria é importante. Devemos enfatizar que a luta por igualdade é algo que beneficia a todos, promove o respeito e a educação. É importante que empresas apóiem esse tipo de atitude e de movimento, e, tão importante quanto, é necessário que saibamos aceitar as outras pessoas tal como elas são, a mudança acontece muito mais rápido no momento em que parte de dentro de cada um de nós. A Revolução Industrial foi um marco na história por vários motivos, porém ainda precisamos de mais uma Revolução. Uma Revolução em nós mesmos.

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