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12 junho, 2015

Amor fósforo e amor isqueiro

Crescemos escutando músicas, vendo filmes e lendo livros que contam histórias de amor. E existem sobre todos os tipo de amor e todos os tipos de casais. A menina rebelde, drogada, confusa e perdida na vida que é o sonho e o pesadelo do carinha que é escritor tímido e inseguro. O garoto mais desejado da escola que nunca olharia pra nerdzinha não-tão-popular. Tem também aqueles em que todos apostam que vão se casar, e ter filhos e ser eternamente felizes e que, no final, se separam. Os melhores amigos que tem tudo em comum e que todos querem que fiquem juntos, e no fim ficam. Aqueles casais que não existe quem queira ver como par. É uma infinidade, os bad boys, as românticas, os sensíveis, as heartbreakers. E mesmo com todos esses tipos, permanece algo em comum entre todos. 
Isso é real, todos temos amor. Se ele existe de fato, se ele pode ser conceituado, se ele foi criado ou é algo da natureza humana, bom, é uma discussão pra outra hora. Hoje é sobre como ele pode agir em nós. 
Eu classifico dois tipos centrais de amor: o fósforo e o isqueiro.
Já provei dos dois, conheço os prós e os contras de cada um, sei como identificar nas pessoas qual dos dois é mais provável de acontecer. E posso apostar que quem lê, ao menos uma vez na vida, já passou por algum deles (ou pelos dois).
Eu não vi. Não percebi. Quando notei, já tinha me apaixonado perdidamente, não conseguia pensar em outra coisa. Eu abandonei minha atmosfera e entrei em outro universo, em uma dimensão onde tudo era tão intenso e acontecia de um jeito tão rápido e avassalador que era como se eu estivesse voando durante uma tempestade. Existia não só essa paixão, mas o conflito, o medo, a insegurança, a vontade, a sensação de estar parado no tempo.
Se isso te fez lembrar de alguém, pode ter certeza, você experimentou do amor fósforo. 
O fósforo é justamente isso: algo normalmente rápido que incendeia do nada e apaga por qualquer coisa. É o Soneto de Fidelidade, do Vinicius de Moraes. Basta uma fricção, basta um pequeno impulso e já acontece com facilidade, cria uma chama alta e intensa que se apaga aos poucos e, no fim, deixa só a marca de que ali esteve e ali existiu. 
Diferente disso, existe o amor isqueiro. É aquele quando você ama uma pessoa, ama estar com ela, se sente bem em não fazer nada e também em fazer tudo. É quando existe briga e uma reconciliação, quando os dois correm atrás, quando um não quer perder o outro. É aquilo que dura, que ás vezes demora um pouco pra acontecer, mas, quando acontece, dura anos.  
O isqueiro é isso, se apaixonar gradativamente, cada vez mais, e todos os dias simplesmente existir ali aquele fogo bonito, radiante e incandescente. São aqueles casais que só precisaram de um pouco de insistência, de pressionar o disparador algumas vezes (talvez) e então fazer surgir ali algo lindo. É o tipo de amor que só termina quando o fluído acaba ou um dos dois resolve tirar o dedo. É o amor que, depois que acaba, não deixa marcas, mas espaço pra começar algo novo, só precisa de um gás novo.
A questão tempo varia, já vi isqueiros durarem meses, já vi fósforos brilharem por anos. 
Independente do tipo de amor, o que precisamos mesmo é realmente amar. Não é por não querer estar solteiro ou sozinho, não é por pena, não é por carência que se fica com alguém. É porque se ama.
O amor só não é chama quando não é verdadeiro. Amor marca, amor fica, amor vai. Amem realmente e não aparentemente. 
Fósforo ou isqueiro. Qual é o seu amor?

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