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24 maio, 2015

O Poder das Palavras


Quem nunca passou por aquela situação de ter sido grosso sem querer? De ter dado uma resposta torta sem ser essa a intenção? Quem nunca teve que se explicar de novo pra ser interpretado da forma correta? Quem nunca teve problemas no contar ou no entender algo? Quem nunca?
A palavra é a coisa mais poderosa que temos, tão poderosa que é capaz de criar e destruir mundos, podem mudar o dia ou a vida de qualquer pessoa. Poucas palavras podem dizer muito assim como muitas palavras podem dizer pouco. 
É nessa atmosfera de falar, ler, ouvir e interpretar que pretendo expressar o quanto é importante coisas simples que nós normalmente nem paramos pra pensar.
Ás vezes é só um bom dia, ás vezes é um obrigado. Ás vezes é só ter respeito pela pessoa. A situação não é nem aquela história de que todo mundo deve ser simpático, que sempre temos que agir como se estivéssemos num ótimo dia. Claro que não. Todo mundo tem o direito de acordar com o pé esquerdo, de pisar numa poça d'água, de perder dinheiro, de estar de mau humor. O que não devemos é descontar isso numa pessoa qualquer que não tem culpa pelo SEU dia estar sendo ruim. 
Eu acredito que precisamos pensar no outro, acredito que, assim como alguém pode ser ignorante comigo e meu dia ficar "nublado", se eu for ignorante com alguém, eu também posso deixar o dia de alguém triste. 
Na verdade, eu posso resumir tudo isso em uma frase: não faça pra outras pessoas o que não quer que façam pra ti. 
Muito bonitinho o texto até aqui, porém não é só isso que eu queria contar. Nem sempre é só questão de educação, nem sempre é um "bom dia" ou um "obrigado". Ás vezes o que falamos sem querer, algumas gírias, algumas manias, vem carregadas de preconceito. Preconceito esse que não muda apenas o dia, mas pode retalhar uma pessoa por toda a vida.
"Não sou tuas nega", "Deixa de ser veado!", "Ela tem cabelo pixaim", "A coisa tá preta", "Roupa de mendiga", "Fazer gordice", "Tá vestida assim porque? Quer seduzir alguém?", "Tá parecendo um traveco", "Oriental é tudo igual". 
Você já disse algo assim? Você pensou no efeito que essas palavras teriam? Em tudo que elas poderiam produzir?
É mais comum do que parece e tem um efeito colateral incalculável. Discriminar pessoas a partir de expressões (infelizmente) comuns presentes no nosso vocabulário é uma das coisas que nós mais estamos acostumados a presenciar e muitas vezes nem notamos  que acontece. Cada uma das frases citadas acima diminui um tipo de pessoa, negrxs, gays, trans, gordxs, mulheres, etc. 
Todo esse preconceito que acontece por uma série de fatores, sendo principalmente esse nosso histórico opressor o responsável. Mas isso tem conserto. Basta prestar um pouco de atenção no que falamos, sobre o que falamos e porque falamos. Se não nos policiarmos quanto ao que dizemos (ou escrevemos), essa descriminação sutil vai continuar, sendo um passo a mais pra disseminação do preconceito e quinze a menos pra igualdade e respeito entre todas as pessoas.
Não é apenas o que dizemos ou como dizemos. Cada palavra carrega um universo de interpretações, cada frase traz mensagens subliminares, por isso é tão poderoso. Porque nunca vai existir só um significado.
Parece simples. É simples, porém também é urgente. E é assim que, com algumas atitudes pequenas e diárias, combatemos as discriminações. 
O objetivo aqui é pensar um pouco nos outros. Tudo o que eu faço ou o que eu digo vai ter uma consequência, seja ela boa ou ruim (mas que de preferência seja boa). Hoje os dias são rápidos demais e pensamos muito no futuro, mas mais ainda em nós mesmos. Ultimamente eu ando percebendo o quanto nós somos egoístas, e o quanto esse egoísmo está sendo o que melhor define os últimos anos. O mundo não gira em torno do nosso umbigo, existem outras pessoas que são tão importante pro mundo quanto nós somos. 
É uma noção de espaço, de ambiente, de convivência. Só precisamos de mais respeito. Que tal seria se prestássemos mais atenção nas pequenas coisas? Que tal se tentássemos não afetar o dia de outras pessoas pelos problemas que nós temos? Que tal se evitássemos alguns costumes da fala pra mudar uma sociedade opressora? Que tal uma pitada de respeito nesse nosso mundo tão ignorante? Que tal?



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